No ano de 1912, na cidade de Altena, Alemanha, Richard Schirrmann converteu um velho castelo reconstruído no primeiro albergue para jovens, sem sequer saber que o que estava criando não era só um albergue, mas uma forma de vida, uma nova cultura que modificaria a forma de viajar de milhares de viajantes de todo o mundo.
Ao tentar explicar o que é um albergue é impossível ser totalmente objetivo, já que seus maiores atributos se deixam ver pelo lado emotivo, embora, é lógico, cada um veja de uma maneira diferente, tentaremos ser o mais claro e abrangente possível em sua descrição.
Um hostel, um albergue, ou como queiram chamar, é antes de tudo um lugar no qual se encontra alojamento econômico para mochileiros, viajantes, pessoas que rodam o mundo…
No entanto, não é qualquer pessoa que ‘pode’ ir a um albergue. Apesar do fator econômico influir, nem todos se hospedam aí simplesmente para economizar. A pessoa que acode a ele tem uma cultura, uma forma de ser, um modo de viajar determinado, muito diferente da pessoa que recorre a um hotel, qualquer que seja a sua categoria.
Ao contrário desse, onde cada um planeja seu dia e sua viagem de dentro do seu quarto, o albergue se diferencia por ter muitos espaços em comum, espaços de intercâmbio onde cada um se mostra presente e se sente orgulhoso de mostrar de onde vem, e sente grande curiosidade em saber quem é o outro, o que faz, de onde vem, como é seu idioma, entre outras mil interrogações
Uma alta porcentagem das pessoas que entram em um albergue o fazem desacompanhadas, a grande maioria por opção, já que se trata disso. A ideia é recorrer o mundo livremente, sem ataduras, sem passagens nem pacotes de viagem comprados com antecedência. O prazer de ter uma agenda vazia (ainda que por umas semanas) é o que dá esse gostinho particular a cada viagem.
Acordar num albergue trata-se de ir ao bar, tomar café da manhã, perguntar a quem atende ou a outros viajantes quais lugares da cidade são aconselháveis, como se chega a eles, quanto dinheiro se gastará. Ou talvez se pode perguntar a outros hóspedes o que eles farão, se já conheceram a cidade, e que tipo de recomendação poderiam dar.Se entre essas respostas há alguma que desperta nosso interesse, certamente essa pessoa perceberá e convidará a seguir o mesmo rumo. Durante esse dia será um novo companheiro de viagem.
Se a jornada foi divertida para ambos, é possível fazer planos para a noite. Podem perguntar ao recepcionista do albergue o que se pode fazer à noite e este dirá todas as alternativas possíveis, assim como comentará que todas as noites todos os hóspedes tem o costume de se juntarem no bar para tomar algo para depois saírem todos juntos ao mesmo lugar. Esta é uma excelente oportunidade para se conhecerem e intercambiarem bebidas, ideias, idiomas e costumes.
E tudo isso pode acontecer apenas nas primeiras horas. Provavelmente no dia seguinte estarão cozinhando juntos, já que é muito mais barato do que comer fora e, além disso, sempre há algum voluntário que deseja mostrar seus dotes culinários e cozinha algo típico de sua região para que todos experimentem, enquanto se contam velhas e novas histórias de viagens e de vida. Depois da comida, algum corajoso se animará a tocar violão e cantar algumas canções, ou talvez alguém proponha ver um lindo filme enquanto fazem a digestão.
Mas nem tudo é tão fácil como parece, não se trata simplesmente de chegar ao lugar e esperar que tudo aconteça como num passe de mágica, para isso deve-se ser uma pessoa aberta, deixar a timidez na porta e começar a se mostrar tal como é, sem medo do ridículo ou da opinião do outro.
No final da estadia a pessoa se sentirá mais completa, com um pouquinho mais de sabedoria. Se sentirá bem por ter conhecido uma nova cidade, além de conhecer um albergue, um mundo novo, um lugar do qual não se quer ir embora porque já se tem carinho por todos. Mas não importa, já que todos trocarão seus e-mails para se algum dia o destino e a mochila os encontram nas mesmas terras, e talvez possam conhecer seus lugares, sua família e amigos, ou quem sabe decidam continuar sua viagem com essa pessoa em outra cidade, em outro mundo, em outro albergue…